Projeto VIVE impulsionou o empoderamento econômico de mulheres potosinas

O Projeto VIVE chegou a San Luis Potosí em 2016. No início, batemos em muitas portas, mas os “não, obrigado” foram mais numerosos. Por momentos, pensamos em desistir; no entanto, foram os “sim” que nos motivaram a continuar com o trabalho de capacitar as mulheres do estado. Ao longo de três anos, conseguimos transmitir habilidades e oferecer ferramentas profissionais a mais de 2.500 mulheres. O VIVE nos permitiu vê-las crescer e se empoderar, pois elas se convenceram de que podem ser o que quiserem e amar a si mesmas. O Projeto VIVE nos permitiu conhecer uma diversidade de pessoas em diferentes locais do estado. Conhecemos mulheres que viajaram de transporte público por até duas horas porque sabem que os treinamentos do VIVE lhes permitirão crescer em muitos aspectos. O Projeto VIVE chegou a Real de Catorce. Percorremos os diferentes municípios do estado; em 2018, chegamos ao município de Real de Catorce, localizado no planalto de Potosí. O treinamento ministrado foi sobre atendimento ao cliente. Chegar a esse município foi uma ótima experiência; viajamos em uma “willi”, uma caminhonete usada para passeios pela região, e conheci a terceira mulher a ser prefeita do município. Real de Catorce é o único lugar onde todas as candidatas às eleições foram mulheres. A partir das conversas, ficou acordado que o curso seria exclusivo para mulheres, e assim foi. Chegamos a uma sala repleta de mulheres com uma visão ampla, com ideias que contribuíam para sua comunidade, mas, acima de tudo, com um enorme interesse em aprender coisas que as ajudassem em suas atividades diárias. O curso transcorreu da melhor maneira possível; elas trocaram experiências e saíram com a energia necessária para realizar mudanças significativas para si mesmas e para sua comunidade, pois compreenderam que a solidariedade feminina as ajudará a caminhar em prol de um bem comum. Capacitação para mulheres de Xilitla O município de Xilitla está localizado na Huasteca Potosina. Chegamos com o apoio da organização Onyalistli e visitamos diferentes comunidades, onde constatamos que as mulheres enfrentam um alto índice de violência, não apenas familiar, mas de diversas formas. Em Xilitla, viajamos com a diretora do Instituto Municipal da Mulher, que nos convidou para ministrar o treinamento em atendimento ao cliente. Fomos levadas ao Instituto de Educação de Adultos. Havia mulheres acompanhadas por homens; era evidente que nossa chegada não era tão esperada. Durante o curso, algumas mulheres começaram a se interessar, enquanto outras foram embora. As que ficaram nos contaram que “nunca tinham participado de um workshop como o que oferecemos”, principalmente porque falamos sobre prevenção da violência. Essa experiência foi enriquecedora porque mulheres idosas nos disseram que levariam a informação às mulheres mais jovens de suas famílias; embora sentissem que, para elas, já era tarde, sabiam que para outras ainda não era. Esses comentários nos deixaram com um “nó no coração”. No mesmo município de Xilitla, fomos levadas a outra comunidade onde o ambiente era bem diferente; encontramos tranquilidade e mulheres muito gentis. O curso foi ministrado em um local amplo que estava em construção, com mulheres ansiosas por aprender, mulheres que eram chefes de família e que buscam aprender mais para ajudar suas filhas a saírem da comunidade e continuarem seus estudos. Ambos os municípios são considerados “Pueblos Mágicos”; são lugares cheios de contrastes, mas encontramos um tema em comum: a necessidade das mulheres de aprender, de conhecer e de se empoderar pelo bem de suas famílias. A equipe viajou pelas quatro regiões do estado; conhecemos mulheres que trabalham em empresas de Potosí, como as chocolaterias Constanzo e La Superior, empresas regionais como a Gota Blanca, empresas de fora do estado como a Yazbek; em hotéis e restaurantes de Potosí, creches, Secretarias de Governo, mulheres empresárias, mulheres que pertencem a grupos que buscam parcerias para seu desenvolvimento empresarial e pessoal. Nestes anos, observamos como as mulheres sanam seus relacionamentos, como aprenderam a se ver como amigas e aliadas, e assim superam anos de diferenças e rivalidades; também observamos homens que reconhecem ter sido violentos e nos pedem apoio para saber aonde ir em busca de sua cura. Sem dúvida, o Projeto VIVE causou um impacto na vida das mulheres, algo que nunca imaginávamos, mas conseguimos.

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